domingo, 22 de outubro de 2006

Tequila e o Demo

Devia estar morta. A tal luz branca estava logo ali. Vozes.

Alguém chamando por ela. Anjos? Não, tinha aprontado o suficiente para não ter essas ilusões.

Mortos podem ter dor de cabeça? Talvez fosse o começo dos suplícios do inferno. Aquela dor parecia mesmo coisa do Demo.

Misturar tequila com cerveja não tinha sido a melhor idéia do mundo. Mas não se recusa tequila oferecida pelo homem da sua vida. Disse que o amava. Berrou descontroladamente que o amava até que o dj se desse por vencido e desligasse a música. Aí a danceteria inteira ouviu. Que era louca por ele desde o segundo grau. Que os beijos dele não eram os melhores do mundo mas o amava mesmo assim. Só ele a entendia! Francisco!!

Mas era Carlos quem estava aí. E tinha aparecido na vida dela aquela noite. Oferecera tequila com a esperança de embebedá-la o suficiente para a levar para a cama. Dera nisso.

Sorriu. Estava morta. Era bom morrer afinal. A cabeça doía implacavelmente. Deliciosamente. Um embrulho estranho no estômago. E a ânsia incontrolável explodiu de dentro dela. A voz se tornou mais nítida. Queria saber se estava tudo bem.

Carlos? Tinha se mandado há meia hora atrás. Francisco? Francisco gosta de meninos, lembra?

A luz branca era fria. Tirou a cabeça da privada e deu descarga. Estava viva afinal.

Que alívio! Ainda não estava pronta para se entender com o Demo.

Autoria anônima
Surrupiado de www.adelaides.com.br

PS: Esse post é uma homenagem ao marco AA/DA. Não entendeu? I´m soooooo sorry!!

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